Banquiri - Banco Agrícola Vale do Piquiri - Primeiro banco de Corbélia

A primeira agência bancária de Corbélia




Em 1955, quando a agricultura local ainda estava em fase inicial de desenvolvimento, novas famílias de agricultores chegavam a Corbélia a cada semana. A necessidade de equipamentos para o preparo da terra e para a colheita dos grãos era cada vez maior. Diante dessa realidade, Armando Zanato, fundador de Corbélia, dirigiu-se à matriz do Banquiri – Banco Agrícola Vale do Piquiri, em Cascavel. Após conversar com a gerência da instituição, conseguiu trazer para Corbélia a primeira agência bancária da cidade, destinada a atender as necessidades dos moradores.

O Banquiri era uma instituição voltada especialmente ao setor agrícola. Oferecia empréstimos e financiamentos para a aquisição de carroças, trilhadeiras, máquinas de debulhar milho, arados e outros implementos agrícolas, além de linhas de crédito para custear o plantio. O banco também permitia que os agricultores guardassem suas economias, concretizando um dos sonhos de Armando Zanato para o desenvolvimento da comunidade.

A agência do Banquiri em Corbélia estava localizada nas proximidades da Praça Paraguai, mais especificamente onde hoje se encontra a Sorveteria Dirceu.com, ou em um ponto muito próximo a ela.

Na imagem abaixo, observa-se, da esquerda para a direita, a edificação que abrigava o Banquiri, o Posto de Assistência ao Produtor — uma espécie de sindicato rural da época — e a sede da LIPAL (Loteadora Industrial Paranaense Ltda.), empresa responsável pela colonização e pelo desenvolvimento inicial da cidade. Ao centro da imagem também aparece a residência de um morador conhecido como "Baiano" e, à direita, o primeiro hotel de Corbélia, o Hotel Rafain.

A imagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial, tendo como referência recortes de um documentário filmado em 1955.



Inicialmente, a chegada do Banquiri representou uma grande esperança para os colonos que se estabeleciam na região. Entretanto, poucos anos depois, a instituição acabaria se tornando o ponto de partida para uma das maiores dificuldades enfrentadas pela família Zanato.

A fatídica geada negra


"Não se tem informação precisa da data, mas estima-se que, no segundo semestre de 1957, uma forte geada atingiu o Oeste do Paraná, destruindo grande parte das plantações da região. Além dos prejuízos causados pelo frio, relatos da época também mencionam a ocorrência de incêndios que atingiram áreas de vegetação seca, agravando ainda mais as perdas na produção agrícola."

Diante desse cenário, muitos agricultores ficaram impossibilitados de honrar os empréstimos e financiamentos contraídos junto ao Banquiri.

Na tentativa de salvar a instituição, Armando Zanato, juntamente com a gerência da agência de Corbélia, recorreu ao Banestado – Banco do Estado do Paraná, posteriormente adquirido pelo Itaú. A proposta era obter um empréstimo interbancário que permitisse superar a crise financeira.

O Banestado aceitou conceder os recursos necessários, mas impôs uma condição: Armando Zanato deveria assumir a posição de avalista da operação. Pensando em salvar o banco e ajudar os agricultores da região, ele aceitou a responsabilidade.

Infelizmente, a crise prolongou-se por mais tempo do que se imaginava. Os prejuízos causados pela quebra da produção agrícola geraram uma reação em cadeia que afetou diversos setores da economia local. Muitos agricultores não conseguiram quitar suas dívidas, o Banquiri também tornou-se inadimplente e a situação acabou sendo levada à Justiça.

Com isso, toda a responsabilidade financeira recaiu sobre Armando Zanato. Como consequência, ele perdeu para o Banestado um quarteirão inteiro da cidade, localizado aproximadamente onde hoje se encontram o Banco do Brasil e o Centro Comercial Peroza.
Outras agências bancárias

Após a falência definitiva do Banquiri, uma nova instituição financeira instalou-se em Corbélia. Tratava-se do Banco Francisco Teles, integrante do grupo Banco Mercantil e Industrial do Paraná.

Segundo a memória local, o imóvel que abrigou a agência do Banco Francisco Teles posteriormente deu lugar à antiga quitanda do Sr. Antônio Lube e, mais tarde, à Livraria do Bolinha.

Na década de 1970, esse braço do grupo passou a adotar definitivamente a denominação Banco Bamerindus do Brasil S.A., instituição que se tornaria uma das mais conhecidas do país até sua posterior falência.
Recorte de vídeo antigo, usado para gerar a primeira imagem dessa matéria.



OBS.: Esta matéria foi elaborada com base em relatos de moradores pioneiros, especialmente no depoimento de Elcio Zanato, filho do fundador de Corbélia, Armando Zanato. Caso algum leitor possua informações, fotografias ou documentos que possam complementar ou corrigir algum detalhe aqui apresentado, entre em contato conosco para futuras atualizações.

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