Uma faca cravada em uma bananeira! - Costume junino antigo




Uma faca cravada em uma bananeira! Essa frase parece ilustrar o começo de um filme de terror, daqueles que assustam as crianças, mas não tem nada a ver com isso. Trata-se de uma simpatia para descobrir o nome da futura esposa ou do futuro marido.

Hoje esse costume já se perdeu junto com tantas outras tradições de junho, mas vamos descrever como ele era, pois talvez, se ainda existir, sobreviva apenas em lugares distantes, quem sabe em alguma comunidade rural mais isolada.

No início, essa simpatia era realizada na noite do dia 12 de junho e o resultado era conferido na manhã do dia 13, dia de Santo Antônio, considerado o santo dos namorados, aquele que ajuda a encontrar a alma gêmea, a outra metade da laranja. Com o passar dos anos, porém, o costume mudou e acabou sendo incorporado às demais tradições juninas. Por fim, passou a ser realizado na noite de 23 para 24 de junho, dia de São João Batista, considerado o centro das festividades desse mês.

A simpatia


Para fazer essa simpatia, era necessária uma faca, de preferência nunca utilizada antes. Então, ao entardecer, o rapaz ou a moça ainda solteiros cravavam a faca no tronco da bananeira e a deixavam ali durante toda a noite. Na manhã seguinte, ao nascer do sol, a pessoa voltava ao local e retirava a faca. A seiva produzida pela planta formava desenhos na lâmina e, segundo a crença popular, revelava a primeira letra do nome da futura esposa ou do futuro marido.

Lembro que nós também fazíamos essa simpatia, mas usando a faca que havia em casa, nunca uma nova. E, às vezes, não sei se por força da imaginação ou da nossa fé, era realmente possível enxergar alguma letra na lâmina. Recordo-me de uma vez em que apareceu a letra "E". Na época eu era apaixonado por uma moça cujo nome começava com essa letra. Fiquei muito feliz, mas a verdade é que nunca cheguei sequer a dar um beijo nessa moça. Anos depois me casei com outra mulher, (minha ex esposa) e a primeira letra do nome dela também era "E". Coincidência? Não sei. O que sei é que esse costume era apenas um entre tantos outros que faziam parte da vida de antigamente.

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