Nesses dias, Iracema estava produzindo uma corbélia a pedido do Veterano Esporte Clube, para ser doada a um time de futebol do Uruguai que viria disputar um amistoso em Carazinho. Receberiam, assim, uma corbélia como gesto de amizade.
Iracema então disse que seria um nome bonito:
Corbélia, cidade das flores. Assim, o nome da cidade nasceu primeiro no coração de Iracema e Armando, depois em documentos oficiais.
Iracema teve onze filhos.
EXPERIÊNCIAS MÍSTICAS
Em sua vida, viveu duas experiências místicas., a primeira aconteceu em uma tarde muito quente, quando estava cansada das tarefas domésticas. Foi sentar-se à sombra, nos fundos da casa, para amamentar um de seus filhos ainda pequeno. Próximo dali havia uma cerca que dividia o terreno, e nela havia uma roseira carregada de pequenas rosas. Como florista, contemplava a
beleza das flores.
Sem aviso, apareceu sobre essa roseira florida Nossa Senhora com o menino Jesus no colo. As duas mulheres ficaram algum tempo olhando e sorrindo uma para a outra. O menino Jesus e seu filho que estava sendo alimentado também sorriam um para o outro, sem nada dizer, pois ainda não falavam devido à idade. Assim, os dois sorriam um para o outro, e as duas mulheres também sorriam, sem nada dizer. Quando uma mãe aparece para outra, não são necessárias palavras; elas se entendem de coração a coração.
Mais tarde, já morando em Carazinho, outro filho foi internado, passando muito mal. Quando Iracema foi visitá-lo, o médico, bastante sério, disse-lhe que o caso era muito grave. Aos prantos, dirigiu-se à capela para rezar. Em duas orações, prometeu a Jesus que, se salvasse seu filho, seria batizada católica. Fez suas preces e foi ao quarto ficar com ele.
No dia seguinte, ao visitá-lo, ficou muito contente, pois o menino estava muito melhor. Em poucos dias, a criança já estava em casa, brincando com os irmãos. Iracema recebeu o batismo na Igreja Católica e também o sacramento da Crisma.
A MUDANÇA PARA O OESTE SELVAGEM
Quando aconteceu a mudança de Carazinho para Cascavel, a família ficou hospedada no Hotel Gaúcho até que fosse construída uma casa onde seria fundada a cidade de Corbélia.
Quando ficou pronta a construção — comprida e estreita — Iracema e a família mudaram-se para a já chamada Corbélia.
Foi traumático deixar Carazinho, com o conforto de uma cidade limpa, com força e luz dia e noite, para passar a viver em um desconforto total. Ali, Iracema ajudou a família a enfrentar a nova situação com humildade e firmeza. Foram dias de provação vividos por pessoas que davam o melhor de si para vencer tantas dificuldades. Iracema foi esse alicerce sobre o qual uma nova história seria contada.
Dessa casa, que mais parecia um barraco — onde hoje é a Avenida Paraná — a família mudou-se para outra casa construída de modo diferente: bonita, pintada de amarelo e com maior conforto para todos.
Essa casa tinha seus quartos, um dos quais foi habitado pelo Padre Bernardo Lube até a construção da
primeira capela, que tinha um quarto ao lado para o sacerdote. Ele continuou fazendo as refeições na casa de Iracema e Armando. Ali também tinha suas roupas lavadas e consertadas, até que foram construídas a igreja e a casa paroquial.
SOLIDARIEDADE E SERVIÇO À COMUNIDADE
Iracema foi mãe de muitas famílias que vinham de diversas regiões para construir suas casas em suas terras. Naquele tempo, o pão era assado em fornos a lenha. Não poucas vezes eram feitas duas fornadas para alimentar as famílias que vinham tomar posse de suas terras.
Nos invernos, muitas vezes rigorosos, havia necessidade de doar cobertores aos que não estavam acostumados ao frio. Iracema e Armando faziam o possível para socorrer quem precisasse. Muitas vezes, pessoas com problemas de saúde ou vítimas de acidentes domésticos vinham buscar ajuda, e sempre eram atendidas.
Iracema também ajudou a atender partos, pois não havia parteira. Quando chegou a primeira parteira a Corbélia, Iracema foi dispensada dessa tarefa.
CURITIBA E OS ÚLTIMOS ANOS
Mais tarde, com os filhos necessitando estudar, Armando alugou uma casa em Curitiba, onde Iracema passou a morar com os filhos. Armando passava dias em Corbélia e também ia com frequência a Curitiba, onde ainda tinha negócios com a FPCI.
Corbélia foi apenas um capítulo na vida de Iracema — um capítulo de uma história marcada pela doação ao próximo, na criação e educação dos filhos, semeando amor por onde viveu.
Já idosa, com problemas de saúde agravados pelos desafios que a vida lhe propôs, Iracema aos poucos foi definhando. Primeiro um AVC, depois outro e, ao final, entregou sua alma ao Supremo Autor da vida. Faleceu na casa onde morava com sua filha mais velha.
Pouco tempo antes, sua filha Edila e a neta Silvana haviam morrido tragicamente em um acidente. Então, Iracema pediu que, quando morresse, fosse sepultada em Curitiba, junto à filha e à neta que perderam a vida no acidente.
Quanto a Armando, foi diferente. Antes de morrer, pediu que seu corpo fosse sepultado em Corbélia — e assim foi feito. Faleceu em Curitiba no dia 15.03.1986, e seu corpo foi sepultado na cidade que escolheu.
LEGADO
Iracema deixou um exemplo de vida que procuramos seguir com humildade, bondade e perseverança no bem. Assim, Iracema e Armando deixaram este mundo para habitar a casa do Pai, onde, se merecermos, nos encontraremos.
Texto escrito por Elcio Zanato, filho de Armando e Iracema
Revisão e restauração das imagens : Jaciano Eccher/Corbélia Filmes.
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| Imagem original: Casal Armando e Iracema Zanato |
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