Comunidade Campininha: memória, trabalho e formação de Corbélia




    Este conteúdo integra o projeto Corbélia e Suas Raízes, realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por Corbélia Filmes e corresponde ao segundo de cinco documentários, que integram a primeira fase deste projeto que tem a finalidade de contar a história das comunidades do interior de Corbélia.

    O documentário apresenta a história da Comunidade Campininha, construída a partir de entrevistas com moradores pioneiros e seus descendentes, entre eles Lurdes Schneider, Lorena Rampanelli, Nilson Negrello, Valdir Kisner e Hilgo Bongratz.

Formação da comunidade

    Grande parte das famílias que deram origem à Campininha veio de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Há registros de posse de terras já em 1950, com a chegada da família Kisner em 13/11/1951. Muitos moradores chegaram ainda crianças, permanecendo na região por décadas e participando diretamente da abertura das primeiras lavouras e estradas.

    O nome Campininha surgiu quando pioneiros, ao abrirem um picadão em meio ao mato virgem, encontraram uma pequena clareira natural coberta apenas por relva, sem taquara ou mata fechada. A partir dessa referência, a localidade passou a ser conhecida assim.

    Entre os pioneiros citados estão Fridolino Schneider, seu irmão, também família Sauter, além de diversas famílias que ajudaram na abertura das estradas, construção das primeiras casas e organização comunitária.

Vida comunitária e trabalho

    A economia local era baseada no trabalho manual e na agricultura de subsistência. As lavouras iniciais incluíam milho, arroz e feijão, sem mecanização. Até meados da década de 1970, grande parte das terras era arada com tração animal, especialmente juntas de bois. A mecanização começou a se intensificar a partir de 1975, e a soja passou a ser cultivada apenas posteriormente.

    O espírito de ajuda mútua marcou profundamente a comunidade. Era comum a troca de alimentos, animais, utensílios e trabalho entre vizinhos. A produção de melado, rapadura, banha, salame e outros alimentos era compartilhada, fortalecendo os laços sociais.

Fé, capelas e memória

    A religiosidade sempre teve papel central na Campininha. A primeira capela foi construída com madeira doada pelos próprios moradores. Um episódio marcante envolve Nene Picsius, proprietário de terras e de uma serraria local, que faleceu em um acidente com um caminhão carregado de torras. Anos depois, o pai mandou construir uma capela em memória do filho, pedindo que ela fosse preservada enquanto fosse possível.

    Assim o capitel permaneceu por muitos anos até que um vendaval derrubou a estrutura. Imagens sacras, castiçais e um crucifixo foram cuidadosamente preservados pela família de Nilson Negrello.

Educação e escola

    A Campininha sediou uma das primeiras escolas do interior de Corbélia, a Escola Tomé de Souza. A primeira professora foi Delsa Barella, e a escola atendia alunos da própria comunidade e de regiões vizinhas. Com o passar dos anos, o fechamento das escolas rurais levou muitos estudantes a se deslocarem para a cidade.

     Uma fotografia histórica da escola, enviada por Edson Barella, filho da professora, mostra a primeira construção e a casa onde a docente morava com sua família.

Transformações e estruturas históricas

    Ao longo do tempo, a comunidade contou com diversas estruturas hoje inexistentes ou pouco conhecidas:

  • A primeira usina hidrelétrica do município de Corbélia, localizada na Campininha
  • Um pequeno aeroporto para pulverização agrícola, ativo principalmente na década de 1990
  • Salão de bailes, cancha de bocha, bares, borracharia e comércio local
  • Forte atividade social, com bailes, matinês, jogos e eventos comunitários

    Com o avanço da mecanização agrícola, a concentração de terras e o êxodo rural, muitas famílias deixaram a comunidade, restando principalmente descendentes dos pioneiros.



Memória viva

    Apesar das transformações, a Campininha permanece como um símbolo da formação rural de Corbélia, marcada pelo trabalho duro, pela solidariedade e pelo sentimento de pertencimento. Os depoimentos revelam não apenas fatos históricos, mas também emoções, saudades e valores que ajudam a compreender a identidade do município.
Assista ao documentário completo pelo vídeo abaixo:



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