A História do Planalto Piquirizinho - Resumida



A História do Planalto Piquirizinho


O Planalto Piquirizinho possui uma trajetória profundamente ligada à ocupação do interior do Paraná e à formação das primeiras comunidades rurais da região de Corbélia. A história do local é contada, principalmente, por meio da memória de seus moradores mais antigos, como o senhor Ivo Naidek, um dos pioneiros da comunidade.

Segundo seu relato, ele nasceu em 1949, período em que Corbélia ainda não existia como município — à época, a região pertencia a Foz do Iguaçu. Cascavel, por sua vez, só viria a se emancipar em 1952. Naquele tempo, toda a área era formada por mata fechada, com extensos pinheirais e praticamente nenhuma estrada estruturada.

Os Desafios do Acesso e a Fauna Exuberante


O acesso ao Planalto Piquirizinho se dava por picadas abertas no meio do mato. As estradas eram rudimentares, muitas vezes verdadeiros túneis naturais formados pelas árvores. Para se deslocar, utilizavam-se carroças e, em muitos trechos, era necessário descer do veículo e abrir caminho manualmente. Em alguns pontos, para evitar que a carroça avançasse desgovernada nas descidas, era preciso amarrar troncos atrás dela para servir de freio.

A fauna era abundante. Os moradores relatam a presença frequente de antas, veados, porcos-do-mato, onças-pintadas e onças-pardas, além de grande variedade de aves. O Rio Piquirizinho era local comum de pesca, com registros de espécies como traíras e grandes bagres. O convívio com esses animais fazia parte da rotina e, muitas vezes, representava perigo real para as famílias.

O Grande Incêndio de 1963


Um dos episódios mais marcantes lembrados pelos moradores foi o grande incêndio florestal ocorrido em 1963, considerado um dos maiores já registrados no Paraná. Segundo os relatos, o fogo se alastrou por dias, atingindo diversas regiões do estado, destruindo lavouras, casas e matas inteiras.

Há registros de que o céu permaneceu encoberto pela fumaça, com o sol avermelhado, e que famílias passaram noites combatendo as chamas com baldes, enxadas e muita coragem. Durante esse período, diversas comunidades se mobilizaram para abrir aceiros com o objetivo de impedir o avanço do fogo. Mesmo assim, muitas áreas foram devastadas. Os moradores relatam que, em alguns momentos, o incêndio avançava de forma tão intensa que parecia impossível contê-lo.

Vida Comunitária: Fé, Educação e Futebol


A formação da comunidade do Planalto Piquirizinho também envolveu decisões importantes quanto à localização da igreja, do cemitério e da escola. Inicialmente, houve divergências, pois ninguém queria abrir mão de terras próprias. Um marco importante foi a doação de uma área por Marcílio Martins, que cedeu cerca de um alqueire para a construção da igreja e do cemitério, com a condição de ali ser sepultado — o que de fato ocorreu anos mais tarde.

A escola local também teve papel central. Nos primeiros anos, funcionava de forma improvisada, atendendo crianças de diversas propriedades. Seu Ivo conta que estudou na Escola Isolada Colônia Sapucaia, uma extensão da escola de mesmo nome que pertencia à localidade onde hoje fica a Flamapec. Posteriormente, surgiram outras instituições na comunidade, como a Escola Marechal Cândido Rondon, Olivo Dorigon e Euclides da Cunha. Em alguns períodos, as aulas aconteciam em construções simples, próximas às residências dos moradores.
O futebol também marcou a vida comunitária. O primeiro campo foi aberto de forma rudimentar, com machado e enxada, em terras cedidas por moradores locais, entre eles Júlio Tozo. As partidas reuniam famílias inteiras e se tornaram um importante ponto de convivência social.

Abastecimento e Logística

O abastecimento era outro grande desafio. Antes da existência de comércios locais, os moradores precisavam viajar até Foz do Iguaçu, Guarapuava, Laranjeiras do Sul e, anos mais tarde, até Cascavel para adquirir produtos básicos como sal, açúcar, ferramentas e tecidos. As viagens eram feitas em carroças e podiam levar semanas. Somente a partir da década de 1970 começaram a surgir os primeiros armazéns na região.

Este relato integra o projeto “Corbélia e suas Raízes”, que tem como objetivo preservar o patrimônio histórico das comunidades pioneiras, registrando histórias que por muito tempo foram transmitidas apenas de forma oral. O material apresentado aqui é um resumo de uma série maior de entrevistas que continuam sendo documentadas e organizadas.

Assista ao documentário completo no vídeo abaixo:


 

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