O casamento no tempo de nossos avós
Texto de Jaciano Eccher, página 93 do livro Recordações dos Nossos Avós Em entrevista com a costureira Usilia Pelissari, consegui fazer um resgate de como eram as festividades do casamento antigamente. Vejam o que nos conta essa simpática senhora.
Tudo começava com o namoro, que era muito diferente “dos dias de hoje”. Para começar a namorar, o rapaz, muito educadamente, precisava pedir a mão da filha ao futuro sogro. O namoro era baseado em muito respeito, carinho e amor verdadeiro; não existia a liberdade que os jovens de hoje têm. O casal de namorados era sempre supervisionado por alguém, seja o pai, a mãe ou um irmão da noiva.
Usilia lembra ainda que, naquele tempo, as moças casavam virgens, mas havia histórias de casos em que o noivo devolvia a noiva, porque ela não era mais pura, conforme seguiam as tradições da época. Em outras situações, a noiva, não sendo mais virgem, não podia casar vestida de branco; fazia-se apenas uma festa simples, sem direito à cerimônia e ao vestido branco.
Depois de um tempo namorando, começavam a falar em casamento e era nesse momento que a noiva começava a preparar o seu enxoval. Alguns itens eram
comprados, mas a maioria deles era feita artesanalmente, como os panos de prato, panos de mão, lençóis, tapetes, toalhas, entre outras coisas. Tudo era colocado em um baú e, na quinta-feira, dois dias antes do casamento, o noivo ia até a casa da noiva buscar o enxoval. Na sexta-feira, um dia antes do casamento, a noiva embelezava-se, pintava as unhas, arrumava o cabelo; aliás, toda a roupa que a noiva vestiria era presenteada pelo noivo, pois era ele quem pagava os custos com a vestimenta da futura esposa.
O casamento acontecia sempre no sábado pela manhã, ocasião em que o noivo, acompanhado de alguns padrinhos e parentes, deslocava-se
a cavalo até a casa da noiva, onde acontecia o café da manhã, enquanto outros familiares e convidados preparavam a comida para o almoço. Por não existir energia elétrica, os animais eram abatidos no dia para fazer o churrasco. As bebidas também eram ingeridas na temperatura ambiente; algumas vezes eram colocadas dentro de uma caixa de água ou em uma fonte, para conservarem-se mais fresquinhas. Depois do café da manhã, na casa da noiva, todos dirigiam-se à
igreja, onde acontecia a cerimônia do casamento; porém, tanto a mãe da noiva quanto a mãe do noivo não participavam da cerimônia. A mãe da noiva ficava em casa chorando a partida da filha, enquanto a mãe do noivo permanecia organizando o quarto em que o casal passaria a noite de núpcias.
A cerimônia, que na maioria das vezes acontecia na
igreja da comunidade, era simples. A ornamentação era toda feita com arranjos naturais, com flores do campo ou dos jardins. Folhas de palmeira ou de outras plantas também contribuíam para a decoração da igreja, bem como do local da festa.
Por falar no local da festa, este era na casa do noivo, onde acontecia o almoço, com carne assada e cozida e, muitas vezes, sopa de agnolini. Por volta das 16 horas era servido o café da tarde, com produtos coloniais, como salame, queijo, cuca, pães, doces e, para beber, café ou vinho.
À noite, a festa prosseguia e fazia-se um pequeno baile, animado por algum parente que sabia tocar violão ou gaita e, às vezes, algum pandeiro e por alguém que sabia cantar. Era nesse momento que os mais jovens também chegavam para dançar e beber.
Depois de casados, o novo casal geralmente passava a morar na casa dos pais do noivo, até que conseguissem construir a própria casa. Somente o filho homem mais novo é que ficava morando com os pais, com o compromisso de cuidar deles até o final da vida.
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