O Grande Incêndio de 1963: a tragédia que marcou o Paraná



Entre os acontecimentos mais marcantes da história do Paraná no século XX, o grande incêndio florestal de 1963 ocupa um lugar de destaque. Trata-se de um episódio que marcou profundamente a memória de milhares de famílias e deixou cicatrizes ambientais, sociais e humanas que ainda hoje são lembradas por quem viveu aquele período.

O incêndio teve início no inverno de 1963, após um longo período de estiagem associado a fortes geadas e ventos intensos. Essas condições climáticas extremas criaram o cenário ideal para a propagação do fogo, que rapidamente se espalhou por vastas áreas do estado. O que começou como focos isolados transformou-se em um dos maiores desastres ambientais da história do Paraná.

Diversas regiões foram atingidas, entre elas o Norte, o Centro-Oeste e os Campos Gerais. Municípios inteiros viveram dias de pânico, com moradores lutando contra as chamas utilizando apenas ferramentas rudimentares, como enxadas, foices e baldes. Em muitos casos, famílias inteiras passaram noites em claro tentando proteger suas casas, plantações e animais.

Relatos colhidos ao longo dos anos — inclusive nos depoimentos que integram o projeto Corbélia e suas Raízes — descrevem um cenário quase apocalíptico. O céu permanecia encoberto por fumaça espessa, o sol adquiria uma coloração avermelhada e o calor tornava o ar irrespirável. As chamas avançavam com velocidade impressionante, impulsionadas pelo vento e pela grande quantidade de material seco nas matas.

Estima-se que cerca de 10% do território do Paraná tenha sido atingido pelo incêndio. Milhares de hectares de florestas foram consumidos, incluindo extensas áreas de araucária. Além das perdas ambientais, houve destruição de lavouras, casas e criações, deixando milhares de pessoas desabrigadas. Registros históricos apontam que mais de uma centena de pessoas perderam a vida em decorrência direta ou indireta do fogo.

No interior do estado, comunidades rurais como as da região do atual município de Corbélia sentiram de forma intensa os efeitos do desastre. Moradores relatam que o fogo avançava dia e noite, obrigando famílias inteiras a improvisar aceiros, carregar água em baldes e proteger as casas com panos molhados. Em muitos casos, apenas a mudança do vento ou uma chuva inesperada impediu que povoados inteiros fossem consumidos.

A dimensão da tragédia levou o governo estadual a decretar estado de calamidade pública. A partir desse episódio, medidas de prevenção começaram a ser discutidas, surgindo posteriormente estudos técnicos e políticas voltadas ao controle de queimadas e à preservação ambiental. O incêndio de 1963 passou, assim, a ser um marco na história ambiental do Paraná.

Mais do que um evento isolado, o grande incêndio permanece vivo na memória coletiva, transmitido por gerações como um alerta sobre a força da natureza e a vulnerabilidade humana diante dela. Ao registrar esses relatos, preserva-se não apenas a história de uma tragédia, mas também a resistência e a coragem de homens e mulheres que enfrentaram um dos períodos mais difíceis da história do estado.


Fontes e referências

As informações históricas reunidas nesta matéria baseiam-se em:

  • Relatos orais de moradores da região, coletados no projeto Corbélia e suas Raízes;

  • Pesquisas históricas publicadas sobre o Incêndio Florestal de 1963 no Paraná, incluindo registros da imprensa da época e estudos posteriores;

  • Dados divulgados por veículos como Gazeta do Povo, RPC/Globo, além de registros institucionais e históricos sobre o evento;

  • Documentos e análises disponíveis em acervos públicos e fontes de pesquisa histórica sobre desastres ambientais no Paraná.

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